terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Reflexão

Desenvolvimento Social versus Desenvolvimento Econômico na Terra dos Bons Ventos


Em 2005, quando me mudei para Santo Antônio da Patrulha, após viver 20 anos em Osório, vivia-se a expectativa da implantação do Parque Eólico na Cidade dos bons ventos. Muito se falava e se especulava: o município ficaria rico, o comércio explodiria, o turismo iria torna-se realidade. Passados três anos muitas coisas boas e ruins aconteceram na cidade.
Hoje ao andar pelas ruas e bairros de Osório percebemos grandes transformações. Em grande parte asfaltados e com praças remodeladas, onde há atividades diárias para os cidadãos se exercitarem e se divertirem com a suas famílias. Um salto para a qualidade de vida dos moradores atendidos por essas praças. Ruas melhores sinalizadas e agora com sinaleiras são uma realidade para uma cidade que aumentou muito sua frota de carros nesses últimos anos. No centro, em horário comercial é muito difícil achar uma vaga para estacionar.

Impulsionada pelo desenvolvimento econômico nossa cidade tem evoluído na sua infra-estrutura, porém pecou em não discutir e prever os problemas sociais que temos hoje. O desenvolvimento social não evoluiu junto ao econômico. Enquanto alguns se beneficiam e aproveitam as oportunidades surgidas, muitos vivem na mesma situação ou pior. Já que a lógica de concentração de renda do capitalismo impera sobre qualquer desenvolvimento de uma economia. Será que é possível o desenvolvimento econômico e social evoluírem juntos? Ao passo que entra mais dinheiro na cidade, será que veremos a criminalidade diminuir? Será que veremos assalariados com boa remuneração e com bom acesso a saúde?
Osório está doente pela epidemia do Crak. Jovens ociosos caem na besteira de baforar na latinha e comprometem suas vidas pelo vício. Fazem qualquer coisa pela pedra. Assaltos, roubos, furtos, exploração sexual são as principais conseqüências dessa droga maldita. Investir no tempo ocioso da juventude é uma necessidade. Esporte e arte são as melhores atividades para o tempo ocioso e os projetos sociais existentes não estão sendo suficientes para diminuir o consumo das drogas.

Com todos esses problemas se faz necessário uma grande discussão em relação ao desenvolvimento social em conjunto com o econômico. Já que nos próximos anos mais alguns milhões de reais entrarão em nosso município e se não aplicarmos de forma correta, continuaremos sendo aquela província com problemas de cidade subdesenvolvida.
A participação popular nas decisões de onde investir o dinheiro dos cofres públicos, poderá contribuir significativamente para o nosso desenvolvimento social. Com uma sociedade participativa e consciente dos problemas, poderemos transformar nossa província em cidade de primeiro mundo.
Aguardo comentários sobre essa Reflexão.