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Reflexão

Desenvolvimento Social versus Desenvolvimento Econômico na Terra dos Bons Ventos


Em 2005, quando me mudei para Santo Antônio da Patrulha, após viver 20 anos em Osório, vivia-se a expectativa da implantação do Parque Eólico na Cidade dos bons ventos. Muito se falava e se especulava: o município ficaria rico, o comércio explodiria, o turismo iria torna-se realidade. Passados três anos muitas coisas boas e ruins aconteceram na cidade.
Hoje ao andar pelas ruas e bairros de Osório percebemos grandes transformações. Em grande parte asfaltados e com praças remodeladas, onde há atividades diárias para os cidadãos se exercitarem e se divertirem com a suas famílias. Um salto para a qualidade de vida dos moradores atendidos por essas praças. Ruas melhores sinalizadas e agora com sinaleiras são uma realidade para uma cidade que aumentou muito sua frota de carros nesses últimos anos. No centro, em horário comercial é muito difícil achar uma vaga para estacionar.

Impulsionada pelo desenvolvimento econômico nossa cidade tem evoluído na sua infra-estrutura, porém pecou em não discutir e prever os problemas sociais que temos hoje. O desenvolvimento social não evoluiu junto ao econômico. Enquanto alguns se beneficiam e aproveitam as oportunidades surgidas, muitos vivem na mesma situação ou pior. Já que a lógica de concentração de renda do capitalismo impera sobre qualquer desenvolvimento de uma economia. Será que é possível o desenvolvimento econômico e social evoluírem juntos? Ao passo que entra mais dinheiro na cidade, será que veremos a criminalidade diminuir? Será que veremos assalariados com boa remuneração e com bom acesso a saúde?
Osório está doente pela epidemia do Crak. Jovens ociosos caem na besteira de baforar na latinha e comprometem suas vidas pelo vício. Fazem qualquer coisa pela pedra. Assaltos, roubos, furtos, exploração sexual são as principais conseqüências dessa droga maldita. Investir no tempo ocioso da juventude é uma necessidade. Esporte e arte são as melhores atividades para o tempo ocioso e os projetos sociais existentes não estão sendo suficientes para diminuir o consumo das drogas.

Com todos esses problemas se faz necessário uma grande discussão em relação ao desenvolvimento social em conjunto com o econômico. Já que nos próximos anos mais alguns milhões de reais entrarão em nosso município e se não aplicarmos de forma correta, continuaremos sendo aquela província com problemas de cidade subdesenvolvida.
A participação popular nas decisões de onde investir o dinheiro dos cofres públicos, poderá contribuir significativamente para o nosso desenvolvimento social. Com uma sociedade participativa e consciente dos problemas, poderemos transformar nossa província em cidade de primeiro mundo.
Aguardo comentários sobre essa Reflexão.

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